Neste eixo, a pesquisa se concentra na cor enquanto fonte de organização da matéria. Partículas, pontos, quadrantes e repetições constroem uma linguagem visual que investiga a cor como substância viva e relacional. A repetição obsessiva, longe da mecânica, opera como método de escuta: cada variação mínima ativa tensões entre ordem e instabilidade, formando superfícies onde o visível se aproxima do microscópico e do cósmico.
É fundamental destacar que compreendo a cor como linguagem e como experiência encarnada no Cerrado plasmada pela luz que constitui simultaneamente fisiologia e espaço. Se Goethe afirma que as cores são ações e paixões da luz e que o olho se forma na luz para encontrar a luz exterior, minha pesquisa desloca essa proposição para um campo ontológico-territorial em que a cor emerge da incidência solar, dos ciclos de seca e chuva, do fogo e da matéria orgânica que configuram o bioma. Nesse contexto, a cor se apresenta como fenômeno situado, atravessado por uma ecologia visual que transforma o território em linguagem. As contribuições de Kandinsky acerca da espiritualidade cromática, a radicalidade silenciosa do preto em Malevich, a imersão monocromática de Yves Klein e, em diálogo com o contexto brasileiro, a densidade sensorial e cromática de artistas como Hélio Oiticica e Israel Pedrosa, ajudam a compreender a cor como campo expandido entre percepção, corpo e espaço. Em minha produção, essa densidade manifesta-se em três níveis interligados, a fisiologia da visão, a inscrição territorial do Cerrado e a partícula cromática como unidade mínima de construção visual. As partículas assumem formas de retângulos, quadrantes, esferas e traços que organizam uma monocromia polifônica, em que uma cor base se desdobra em múltiplas nuances e vibrações. Esse sistema nasce da observação imersiva no bioma e de suas matrizes cromáticas, compreendidas como arquivo vivo e como cartografia sensível do Cerrado, onde determinadas cores operam como referências basilares da minha experiência estética sensorial respondível, por exemplo:
Vermelho-alaranjado: mineralidade;
Verde-terra: árvores e folhas;
Amarelo: floração e frutos;
Roxo: raridade botânica e misticismo;
Preto: trauma ecológico, renascimento e transcendência.
Assim, obras como Seiva e Energia articulam a cor como linguagem, matéria e pensamento, propondo um campo perceptivo em que luz interna e luz externa se encontram na superfície pictórica.
Síntese
A pesquisa cromática apresentada compreende a cor como linguagem encarnada no Cerrado, articulando fisiologia, território e partícula visual em uma cartografia sensível que transforma a monocromia em campo polifônico de experiências estéticas, ecológicas e espirituais.
Referências bibliográficas
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BEHR, Nicolas; BEHR, Therese von. Aves, cores e flores do Cerrado. Brasília: Mais Amigos, 2021.
GOETHE, Johann Wolfgang von. Doutrina das cores. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.
HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2021.
KANDINSKY, Wassily. Do espiritual na arte. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
MALEVICH, Kazimir. O mundo não objetivo. São Paulo: Perspectiva, 2019.
KLEIN, Yves. Yves Klein: writings. Paris: Éditions Dilecta, 2003.
OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.
LIVINGSTONE, Margaret. Vision and Art: the biology of seeing. New York: Abrams, 2008.
PEDROSA, Israel. Da Cor à Cor Inexistente. Brasília: Editora UnB, 1982.
SILVEIRA, Luciana Martha. Introdução à teoria da cor. Curitiba: UTFPR, 2015.
PARTÍCULAS CROMÁTICAS






Seiva (pintura, 2025)
Energia (pintura, 2023)
Campo de Espinhos (pintura, 2024)
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